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sábado, 30 de maio de 2015

2 anos depois

Esse ano eu e meu marido fazemos 10 anos juntos. Decidimos que deveríamos viajar e fazer algo especial para comemorar a data. Escolhemos ir à Grécia, um lugar que estávamos querendo visitar desde que nos casamos. 

Como na época nos mudamos para Lyon, acabou ficando difícil conciliar nossa lua-de-mel e a mudança de país. Passar nossa lua-de-mel em Lyon foi mais do que natural por todas as circunstancias do momento e agora, 2 anos depois, fizemos a mesma coisa. Não resistimos e compramos um pé de avião Atenas / Lyon. 

Não preciso nem dizer a emoção que sentimos quando chegamos. Quando o avião pousou no aeroporto de Saint-Exupery as lágrimas correram dos meus olhos. Um misto de alegria e saudade me invadiu. Saudade não só da cidade, mas do tempo que passamos lá, das coisas que vivemos, do estilo de vida... saudades de tudo. 

Morar fora foi para mim como morar em outra dimensão. Os problemas reais estavam longe... a um oceano de distância. Como se eu estivesse me preparando para a vida 'real', para quando eu voltasse para o Rio. Foram 1 ano e meio de planejamento e de sonhos para serem colocados em prática quando voltássemos. 

Acontece que o sonho é tão mais gostoso... no sonho temos aquela expectativa boa, temos o positivismo, ainda temos tudo pela frente, e o mais importante, acreditamos, acreditamos que vai ficar tudo bem...

Estar de novo em Lyon foi resgatar essa sensação de sonho. Foi como se nada tivesse mudado, como se esses 2 anos não tivessem passado, como se o dia 31 de março de 2013 (dia em que partimos) fosse o dia anterior ao dia 14 de maio de 2015 (o dia que voltamos à Lyon)... 

Estávamos de volta à cidade silenciosa, ao francês, aos macarrons, à cafeteria do lado de casa. Estávamos de volta a nossa casa!   

sábado, 5 de janeiro de 2013

Feliz ano de 2013!



 
Diferente do começo do ano de 2012, este réveillon foi regado de sentimento de mudança e renovação. Com uma boa pitada de frio na barriga como a chegada de um ano cheio de planos deve ser. Mesmo não sabendo exatamente o mês que vou voltar para o Brasil esse é o ano em que volto para a minha terra, para minha família e para meus amigos. Se estou feliz? Claro que estou feliz, mas também estou triste pois vou deixar muitas coisas que conquistei para trás: uma casa, amigos, o meu açougue, a minha padaria com a minha baguete da tarde, a minha doceria com o melhor macarrons da cidade e a vista da Fourvière...Ah... a Fourvière! O fato é que não me vejo na França para sempre... para sempre é muito tempo. Tempo demais! Mas ao mesmo tempo ainda não me vejo fora dela... Para esse ano um único pedido: que a volta seja menos dolorosa que a vinda!

sábado, 24 de novembro de 2012

Clichê: ninguém escapa dele

Se o mundo fosse assim tão simples quanto os clichês a vida seria muito menos complicada... É claro que eu não gosto que a cultura brasileira seja resumida somente à samba, caipirinha e futebol, mas será que alguns clichês não são mesmo verdade? Eu, por exemplo, adoro carnaval e samba, caipirinha é um dos meus drinks favoritos, e sim, eu gosto de futebol e tenho blusas do meu time. Mas, e quando os clichês são pejorativos, o quê fazer com eles? 

Uma coisa que me alivia é que todas as culturas tem os seus clichês, sendo eles verdade ou não, bons ou ruins, e a cultura francesa também não está fora dessa. Os franceses não tomam banho, os franceses não trabalham (menos do que o resto do mundo, isso é verdade!), os vinhos franceses são os melhores do mundo (alguém já parou para contestar isso? E os vinhos italianos, chilenos, argentinos?). Enfim... aí vai uma música e um filmezinho bem divertido sobre os clichês franceses... alguns são verdade outros nem tanto...

Em inglês:

Em Francês:


A música de Pink Martini: Je ne veux pas travailler. E para quem quer conhecer a letra: http://www.lyricstime.com/pink-martini-je-ne-veux-pas-travailler-lyrics.html



Mas se quer conhecer um pouco da origem dos nossos clichês não deixe de assistir esse documentário, simplesmente fantástico! Olhar Estrangeiro, dirigido por Lucia Murat.



quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A força de um abraço


Acreditem ou não, mas depois que comecei as aulas na faculdade aqui em Lyon as pessoas que eu tenho sentido mais falta são os meus amigos brasileiros. Sinto falta, principalmente, da liberdade que temos para nos tocarmos, abraçarmos, beijarmos, sem precisarmos de desculpa para isso. Agora que estou tendo contato com vários franceses pude verificar que os brasileiros são mesmo um povo tátil como eu sempre ouvi falar que nós éramos. O fato é que algumas coisas simplesmente precisam ser vividas para serem entendidas em vez de repetidas. Se eu não tivesse conhecido uma galera brasileira por aqui nem me lembraria mais quando foi a última vez que abracei um amigo. Aquele abraço intenso, sem duplas intenções, que só a boa amizade pode nos proporcionar. Aquela troca de energia sem cunho sexual que eu só me lembro vivenciar em duas situações: em um abraço apertado e em um mergulho no mar (talvez seja por isso que eu goste tanto do mar).

Isso me fez lembrar uma reportagem que vi uma vez na televisão sobre americanos que faziam aulas de abraços. Sim, eles pagavam uma aula para abraçar as outras pessoas, pessoas que eles nem conheciam. Vocês acharam isso tão triste quanto eu achei? Eles pagavam por uma coisa que nós, brasileiros, trocamos todos os dias, com prazer e de graça. Nós podemos falar várias coisas do Brasil, mas não podemos negar que a cultura brasileira é calorosa, é carinhosa, e isso faz com que todos nós sejamos um pouco mais felizes.

Quanto mais tempo aqui percebo que as diferenças de culturas podem ser sutis a olhos nus, mas imensas quando são vivenciadas. Pequenos detalhes que nem eram notados antes podem transformar da água para o vinho uma relação, uma experiência, uma emoção. Pequenos detalhes como um simples abraço.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

As 4 estações do ano

Nós chegamos aqui na França em setembro do ano passado, estamos completando 1 ano de fromage, croissants, bidê e abajur... Ainda lá no Brasil quando eu disse à um francês que estava vindo ele me disse: Agora as coisas só pioram, os dias ficam mais curtos e frios. Achei um pouco exagerado da parte dele, mas apesar do inverno não ter sido de todo mal, é realmente incrível a diferença entre as estações do ano aqui na Europa. Eu sei que parece meio óbvio dizer isso, mas só quem já viveu pelo menos duas dessas estações pode entender do que eu estou falando. A gente sente dia após dia a mudança, dias mais frios e mais curtos, dias mais quentes e mais longos. Não é igual ao Rio de Janeiro que só tem duas estações e de repente você se dá conta que está esfriando...Não... aqui essa mudança é realmente vivida. E a mudança está longe de ser só da temperatura, ela é muito mais que isso. A mudança é sentida no comportamento das pessoas, no visual, no cheiro, no paladar, no som...
Quando chegamos ano passado já era outono, mas ainda se conseguia beber cerveja na calçada dos bares. Me lembro de termos tirado uma foto tomando a minha cerveja favorita (Hoengarden) em um bar perto do Rhône, bem pertinho aqui de casa. O inicio do outono é calor o suficiente para usar shorts e meus óculos escuros estavam sempre comigo. O ventilador dentro de casa era ligado com frequência. Era o clima de começo de ano, as pessoas ainda estavam com o clima feliz de recém-chegados de férias. No outono as feiras ficam bem coloridas com frutas e algumas flores. Durante esse período come-se muita uva (verdes, roxas, com e sem caroço) todas deliciosas. Mas esse tempo bom logo vira dias em que precisa colocar um casaco. Passei a fechar as janelas aqui de casa, não tinha necessidade de abri-las, pois a casa continuava fresca mesmo toda fechada. É nessa estação que o ventilador é guardado. Com as janelas fechadas a vida fica mais silenciosa e fica cada vez mais difícil acordar porque ainda é noite às 7:30 da manhã. O inverno chega.
No inverno, como a luz do sol não é tão brilhante, as cores são menos vivas. As paisagens, tanto da cidade quanto da natureza, ficam em tons claros ou cinzas e quando neva a predominância do branco é inevitável. Tudo fica muito mais silencioso, as pessoas ficam mais caladas e os pássaros não cantam. Como as janelas ficam sempre fechadas não se ouve os vizinhos, é praticamente como se eles não existissem, a não ser pela visão de alguns vultos nas janelas em frente à sua (esse é, sem dúvida, um ponto positivo). O ar gelado faz com que você perca um pouco o sentido do olfato e por isso, é mais difícil sentir o cheiro das frutas quando vai à feira. Por outro lado os cheiros quentes, como o do chocolate ou vinho quente com canela ficam mais apurados e agradáveis de serem sentidos. Parece triste, mas eu até gosto do silêncio do inverno. E quando você está bem protegida do frio chega a ser aconchegante andar pelas ruas.
Depois do inverno chega a primavera e esse ano eu entendi porque ela é uma estação tão querida. Não é só por causa do nascimento das flores, mas também porque ela representa a melhora do tempo e o fim de um ciclo. O final do ano aqui para eles é o meio do ano para nós. Na primavera o ano letivo está acabando para entrar nas férias de verão e depois, em setembro, recomeçar tudo de novo. É na primavera que sentimos os dias ficarem maiores. É quando os cheiros das frutas e das flores começam a aparecer novamente. Na feira as cores ficam mais vivas com a época dos aspargos, morangos, cerejas, ananás... Os queijos fedem mais porque o calor permite que os fungos se ploriferem melhor. A primavera é quando você pode guardar os casacos pesados e tirar dos armários os shorts e bermudas. Uma sensação de fim de ciclo e esperança toma conta de todos. Os vizinhos (que já tínhamos até nos esquecido deles) começam a soar em nossos ouvidos de novo. Consigo ouvir o bebe chorar e os meu visinhos fazerem festa no último andar. As pessoas ficam mais abertas e as cantadas nas ruas mais frequentes. E como cantam os pássaros! Eles anunciam dias maiores e mais quentes.
Depois vem o verão... e por incrível que pareça o verão nas cidades grandes é vazio. Sim, pois aqui na França todos saem de férias, lojas fecham para o mês de julho/agosto e é sensível aos olhos como a cidade fica mais vazia. É tempo de aproveitar tudo que não tem nas outras estações: tomar sol no parque, ir na piscina pública de verão e pegar um bronze digno de Rio de Janeiro. Verão = Férias. Essa é uma matemática que parece cair super bem para a maior parte dos franceses. E por isso, as cidades litorâneas ficam apinhadas de gente. A Côte D'azur vira Búzios, cheia e com engarrafamento... Très Chic! E os vizinhos? Eles falam mais alto do que nunca. Um fuma falando ao telefone na janela, a outra tenta falar com as amigas pelo celular que não pega dentro de casa, a mãe grita com os filhos encapetados no play e o outro assiste TV nas alturas.... Ahhhh...! Isso tudo quase me faz sentir falta do inverno, quando as janelas ficam fechadas... (quase!). O verão também é tempo de 'Canicule'! A tão temida onda de calor que assola os franceses todo o verão, mas não se preocupem, ela dura somente 2 semanas...
E aí o outono chega de novo... e 1 ano se passou... 1 ano de alguns encontros, alguns desencontros, muita, muitas, muitas reflexões e várias descobertas. Descobertas de uma nova cidade, de uma nova cultura, de novos amigos, e de uma vida a dois.

O Outono.

O Inverno.

A Primavera.

O Verão.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Apenas uma criança: 1 ano de blog.



Quando eu escrevi o meu primeiro post não tinha realmente pretensão alguma com o blog. Pelo contrário, era quase um diário de infância modernizado onde eu queria gravar para sempre as experiências e mudanças que eu sabia que iriam acontecer no início da minha vida de casada. 90 posts depois o blog continua não sendo muito mais do que isso para dizer a verdade, mas para a minha surpresa eu conheci pessoas através dele, dei dicas de viagem, e pasmem... até ajudei pessoas que estavam querendo vir morar aqui na 'Terra do Camembert'.
Quando eu comecei a escrever nesse blog eram muitas dúvidas e muitos medos! Hoje ainda são muitas dúvidas... hahahaha... mas calma! Um pouco menos de medo...! Agora, lembrando todo o sofrimento que senti com a mudança (quem disse que mudar é fácil?) de casa, de cidade, de país...! Posso afirmar para vocês que valeu e vale a pena. O ganho é maior do que a perda, apesar da saudade que aperta de vez em quando, ou melhor, todos os dias...
Nesse meio tempo é impossível não mudar também... Passei a ler mais jornal, ter uma visão diferente da França (menos idealizada) e valorizar (ou idealizar?) o meu país. Passei a dar valor ao turismo na cidade onde vivo (em busca de novos lugares, no mesmo lugar) e amar ainda mais viajar. Ainda estou tentando perder o medo de falar outra língua (será que conjuguei certo? essa pronuncia saiu estranho...) e hoje, tenho certeza, que serei muito mais eficaz na minha comunicação em português. Só quem já se viu privado de comunicação sabe o valor que ela tem! Esse 1 ano foi também uma grande descoberta da vida à dois... E que descoberta maravilhosa! Tão boa quanto eu sabia que iria ser.
Hoje fico me perguntando... como estarei no segundo ano de blog? Onde estarei? (não, isso ainda não é certo). E todas essas perguntas me excitam mais do que assustam... Essa talvez tenha sido a minha maior mudança... afinal, estamos sempre demudança, não é mesmo?


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Culto ao ato de comer

Comer... cada um tem uma visão diferente dessa ação essencial para a sobrevivência de nós, seres vivos. Tem gente que come porque está ansioso, nervoso, triste. Tem gente que usa toda a comida que vê pela frente para afogar suas mágoas. Tem gente que come a mesma quantidade, nervoso ou não, e come por pura sobrevivência e não necessariamente por prazer. E existem pessoas que não comem quando algo as perturba... e esse é o meu caso. Para mim comer é tão ligado ao prazer... tão ligado à felicidade que eu não consigo comer direito quando estou triste. Fico com a garganta fechada, com uma sensação de engasgo. Quase com uma sensação de culpa por estar comendo algo bom e não estar sentindo o gosto por causa dos meus pensamentos. Eu como para celebrar a vida e não para esquecê-la. Eu como para celebrar uma conquista, para deixar meu dia mais especial, para comemorar um dia de sol. Eu como em dias de festa, encontros, aniversários.
Eu adoro um bom prato de carne (o que ando sentindo falta aqui na França) ou ensopado de legumes frescos ou, até mesmo, um bom prato de arroz, feijão e farofa de ovo. Aquele feijão com caldo bem espesso que só a experiência sabe fazer. E o cheiro da baguete fresca saída do forno da padaria...? É algo para deixar qualquer um com água na boca. Consigo comer uma baguete inteira com queijo, manteiga, vou revezando... Mas, apesar de todos os indícios apontarem para o salgado, tenho que admitir que o meu pecado mora nos doces. É aí que mora um dos meus 7 pecados capitais: a gula. E essa mulher de olhos grandes tem que ser bem domada... do contrário ela te devora. Mas isso não é uma tarefa fácil. Quem disse que é fácil resistir às bombas, macarrons, tortinhas de frutas e biscoitos amanteigados que eu adoro e que vejo todos os dias quando passo em frente à padaria? Todos super bem arrumados, enfileirados na vitrine com uma pompa despretensiosa, olhando para você e praticamente falando o seu nome. Sim... a gula também come com os olhos... o problema é que ela não pára por aí... 

Direto da minha patisserie preferida: Maison Charrié. Onde pode encontrar os melhores macarrons de Lyon.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Sozinha mas acompanhada

O fato de estar longe de casa me fez dar ainda mais valor aos meus amigos e família. Quando existe alguma coisa que não está ao nosso alcance essa coisa fica ainda mais valiosa. Mas é mais do que isso, nós precisamos pertencer à algum lugar e só os amigos e a família podem dar essa certeza para a gente, a certeza de que não estamos sozinhos. A solidão é necessárias às vezes, eu sou uma pessoa que preciso do meu espaço, gosto de ficar em casa sozinha e não ligo se não tiver ninguém para ir no shopping comigo... Eu gosto de ter um tempo para mim, eu preciso desse tempo. Mas é verdade que a solidão a mais pode machucar bastante. Nenhum ser humano foi feito para ficar sozinho, o ser humano precisa trocar palavras, carinhos, experiências. E aqui, com os dias em que ando almoçando sozinha em casa, fazendo comida só para mim enquanto o João está trabalhando, estou aprendendo o significado negativo de passar um tempo sozinha...
A solidão é como uma erva daninha, ela cresce de um dia para o outro e se espalha com facilidade, quando menos percebemos, ela está lá... misturada à grama. Mas o lado bom é que ela é fácil de arrancar pela raiz, basta falar com algum amigo ou com a família. Ontem recebi a ligação de uma amiga querida, e foi como se de repente eu não estivesse mais almoçando sozinha. Aquela ligação me deixou muito feliz, poder ver e falar com as pessoas queridas (o Skype ainda não permite tocar) é a coisa mais valiosa que se pode ter quando está fora de casa. Essa simples ligação me deu forças para ficar sozinha vários outros dias, uma ligação de 1 hora me encheu de carinho, me preencheu totalmente. Me fez perceber que eu posso estar à kilômetros da maioria das pessoas que amo, mas me fez perceber também que, apesar da distância, eu não estou sozinha. 

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Essa falsa amizade

Eu não entendo essa obrigação que os cariocas acham que tem de serem amigos de outra pessoa. Essa forma de lidar com o outro achando que está sendo simpático, mas na verdade só está enganando o próximo. Até para quem conhece as regras (o meu caso) pode ser irritante. Por que convidar para sair se não faz questão de sair com a pessoa? Por que marcar um chopp se na verdade não quer tomar um chopp com a pessoa? O que alguns chamam de delicadeza eu acho uma falta de educação tremenda. Não vou dizer que nunca fiz isso... até mais do que eu gostaria... nasci no Rio, no Brasil, é inevitável não pegar hábitos, mesmo que ruins, mas ainda assim é difícil para mim entender essa lógica. Ninguém é obrigado a ser amigo de ninguém nessa vida. E isso é um fato! E desde quando fingir que é amigo é sinônimo de boa educação? Você pode ser gentil com o outro, cumprimentá-lo na rua, até trocar algumas palavras amigavelmente no trabalho, mas isso não faz dele um amigo... então porque dar falsos indícios de fraternidade como 'marcar' um almoço... ou um encontro? Qual é o objetivo? Não entendo essa necessidade de se apoiar em uma amizade que, na verdade, não existe.
Nesse ponto tenho que reconhecer que os franceses são muito mais sinceros e verdadeiros. Eles vão te cumprimentar, dizer bom dia e boa noite, mas nunca vão te chamar para almoçar ou tomar um chopp se realmente não quiserem sua companhia (falo de forma geral, claro que exceções existem). Diria que é bem mais fácil desse jeito, você não precisa conhecer as regras, pois elas são claras. É verdade que, em contra partida, isso dificulta os franceses à fazerem novas amizades, o que me faz estar em maus lençóis pois sou uma estrangeira aqui. De qualquer maneira, não posso negar, que dessa forma me parece muito mais honesto e claro com todos os envolvidos.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Apartamento de estudante

Não são todos que possuem tino comercial... e se tratando de franceses a quantidade é menor ainda. Os franceses realmente podiam aprender com os árabes e chineses que vivem no país como fazer negócio, porque eles são muito ruins... Deviam dar nas faculdades aulas de 'Técnica de Negociação', povo mais ruim de roda...
Nossa cama quebrou, quer dizer o sofá-cama velho e horrível que a gente dorme (o apartamento de estudante é alugado já com os móveis). Eu fiquei torcendo para que não tivesse conserto e o proprietário tivesse que trocar mas o técnico veio aqui e falou que conseguia consertar, quer dizer, consertar não... ele deu o famoso 'jeitinho' prendendo as partes que estavam soltas e nós ainda tivemos que pagar 20 euros.
O fato é que tentei conversar com a responsável para tirar esse sofá-cama daqui... porque ele é muito desconfortável para dormir todos os dias, eu nem me importaria de comprar a cama, eu só precisava que eles tirassem o que estava aqui em casa para colocarmos um descente no lugar. Nada feito, eles não tem onde guardar o sofá-cama... Essa história toda me deixou meio P da vida e eu já estou incomodada com algumas coisas aqui do prédio, agora eles correm o risco de ficar sem o proprietário... porque estamos procurando outro lugar para ficar. Pode ser que a gente ache ou pode ser que não, mas com essa besteira eles correm o risco de deixarem de ganhar 1 ano à mais de aluguel nosso. Tudo bem, é bem provável que achem outro locatário, mas é sempre um risco e nós somos bons locatário, limpos, pagamos em dia... Eu realmente não entendo essa lógica, não entendo mesmo, só porque sabe que é bem provável que não fiquem vazios fazem um trabalho porco... deixando a pessoa que está hoje no apartamento insatisfeita. Mas isso, infelizmente, eu não vi só aqui na França não, já vi muitas vezes no Brasil também.

quinta-feira, 15 de março de 2012

O que se passa por aqui

É verdade que estou um pouco sumida do blog, isso acontece por duas boas razões, quer dizer uma nem tão boa assim.
Estou estudando desde novembro para fazer uma prova para entrar em um mestrado aqui em Lyon. Já que não passei ano passado por causa do meu nível de francês resolvi que queria ouvir qual desculpa os franceses iriam dar esse ano para eu não entrar... rsrsrs. Ok, ok, nada de negativismo. Estava estudando igual a uma louca 9 horas por dia porque, afinal de contas, a prova é toda em francês e exige conhecimentos em matemática, francês, inglês e conhecimentos gerais. E com relação a Conhecimentos Gerais é uma prova que cai de tudo, desde quem ganhou o Oscar até eventos históricos importantes, ou seja, uma prova que todos contam com a sorte de cair o que sabe, pois é impossível saber a abrangência de assuntos que essa prova exige. Enfim, estava eu focada nisso, uma coisa que sei fazer é colocar energia em uma coisa como se fosse vida ou morte (o que nem sempre é bom). Fiz a prova em fevereiro e já marquei outra para fazer no final de março (posso fazer quantas vezes quiser até achar que tenho uma nota boa para aplicar o meu pedido de inscrição). Como sou uma pessoa determinada, resolvi marcar de conversar com os coordenadores do Master para já construir minha rede de relacionamento lá dentro, tudo correu muito bem à não ser pelo fato dele ter me dito que as provas eram só uma burocracia... que o que conta mesmo para entrar é o perfil do candidato e o currículo. Legal! Estou estudando igual a uma louca para a minha nota não contar. De qualquer maneira não posso nem reclamar como devia, pois por um lado até fiquei aliviada com a notícia. Mas o fato é que eu ainda vou ter que fazer a prova que já paguei em março e para entrar no master tenho que fazer também a prova do Toefl (lingua inglesa). Ou seja, além de estar aprendendo francês estou revendo tudo de inglês... Nem preciso dizer que confundo 'very' com 'beaucoup'... Só quero ver como será a prova oral do Toefl que farei semana que vem.
Bem, essa é minha primeira desculpa, quer dizer, motivo. O segundo é que eu descobri a televisão francesa em vários sites. Agora posso ver os programas reprisados pela internet, já que não tenho televisão... E para quem não sabe: Eu amo televisão! Mas o fato é que isso é um carma na vida de todos nós... porque somos muito mais produtivos sem televisão. Isso é fato... quer você goste ou não. O que salva um pouco as gerações criadas com televisão é que tem muita coisa ruim passando e é fácil ficar entediado, caso contrário teríamos várias pessoas com distúrbios de interação.
Mas tem uma coisa que a televisão está me ajudando, que é com a minha escuta em francês. Consigo entender a língua falada muito mais facilmente agora. Então, por isso, se você aí estuda francês, já é fluente ou simplesmente ficou curiosa com relação ao que se passa na televisão francesa (que é exatamente igual à todo o resto do mundo), segue aí os sites para treinarem o francês:


Divirtam-se!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

1 de março - Bon anniversaire à moi!

Não chore pelo tempo que passa, isso apaga as velinhas.

Eu sempre gostei de fazer aniversário. É um dia só meu, que eu não preciso me sentir culpada por não estudar ou trabalhar... é um dia que eu posso fazer o que eu quiser (dentro da lei, claro... rsrsrs). Um dia que falo com pessoas amadas, um dia feliz. Tenho certeza que amanhã será um dia feliz também, como todos os outros anos, mas não estou muito animada para ficar mais velha. Se esse dia só representasse o 'Dia da Anna', sem o fato de estar 1 ano mais velha, seria perfeito! Um dia para receber carinho e presentes... só isso. Ok, ok, nós ficamos mais velhos todos os dias, mas esse é um dia que grita na sua cara: você passou a fronteira da idade X.
E aqui na França é ainda pior estar fazendo 26 anos. Por quê? Porque aqui praticamente todas as reduções vão até a idade de 25 anos. Entrada de museu, passagem de trem, shows. Você deixa de ser um 'jovem adulto' para ser só 'adulto', status que terá até passar a ser 'velho' e poder entrar de graça no ônibus. Isso quer dizer que, além de estar um ano mais velho você passa a pagar inteiro em tudo. Ou seja, eu tenho a França inteira falando para mim que vou estar mais perto dos 30 amanhã do que dos 20... rsrsrs. Está bem, vou parar de choramingar... se não, imagina como estarei quando fizer 40 anos!

Os velhos tem a vantagem que eles tem pelo menos a certeza de ter tido uma juventude. Por outro lado, os jovens não tem a certeza de ficarem mais velhos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Gentileza gera gentileza*


O fato é que morando na França eu estou passando a dar muito mais valor à gentileza. Quando eu morava no Brasil, eu sempre pensava que as pessoas seriam gentis comigo e acontecia de, às vezes, elas não serem. Aqui na França eu sempre acho que as pessoas serão grosseiras e acontece de, às vezes, elas serem gentis...rsrsrs. E achar alguém que me ajude sem reclamar é algo que está me deixando mais feliz do que me deixava no Brasil. Antes eu achava que uma pessoa ser gentil era como uma obrigação, porque afinal minha mãe sempre me disse para eu tratar os outros como eu gostaria de ser tratada. Mas o fato é que os franceses não foram educados assim, ou eles gostam de ser tratados com grosseria (das duas, uma - e eu até acho que é mais a segunda). Essa cultura do falar grosso foi passando de geração em geração, e isso não parece incomodá-los como incomoda à nós, estrangeiros. Simplesmente porque foi como eles foram criados.
O único ponto bom disso tudo é que eles podem brigar com você agora e 5 minutos depois estar de oferecendo um café. Eu até gosto dessa cultura 'sem rancor', eles falam o que estão pensando e pronto, já disseram está tudo bem, mas tenho que confessar que para a cultura brasileira isso é um pouco difícil de entender... Por exemplo, o francês pode dizer que a sua atitude foi burra, mas ele não está te chamando de burro... entende? Nem eu. Mas é como eles pensam...
Eu escrevi tudo isso por um fato que aconteceu hoje: tive que ir resolver um problema em uma repartição pública e como eu não sabia fazer a atendente telefonou para mim para o número que eu tinha que telefonar e ainda ficou do meu lado dizendo tudo o que tinha que dizer para a moça atrás do telefone para eu resolver o meu problema... Sabe quando isso aconteceu comigo aqui? Não consigo me lembrar. Até porque os franceses não são babás de ninguém, cada um se vira aqui... principalmente quando é estrangeiro. O que eu fiz? Agradeci e disse à ela: Vous êtes très gentil (Você é muito gentil.). O curioso disso é que sempre que eu falo isso para alguém (que tenha sido realmente), eu sinto um pouco de surpresa e felicidade no olhar da pessoa... Será que os franceses ainda não entenderam que 'Gentileza gera gentileza'?

 *Autor: Profeta Gentileza 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Curso de dança, francês e cultura

Eu sempre fui uma menina extracurricular. Quando eu era criança eu ia para a escola de manhã e à tarde fazia mil aulas... inglês, dança, catecismo, piano. Eu tinha uma atividade diferente para cada dia da semana. E quando eu fui crescendo esse hábito não mudou... Eu já fiz yoga, jazz, sapateado, ballet, natação, curso de italiano, academia. Por causa do meu histórico, eu já estava com muita saudade de fazer alguma atividade, principalmente, alguma atividade física. Por isso, nesse inicio de ano eu resolvi entrar em uma academia de dança aqui perto de casa para fazer dança moderna. Eu estou adorando voltar à dançar. As aulas conseguem mudar o meu humor... para melhor. Me sinto mais leve, mais bem humorada. Achar uma atividade física que goste de fazer é algo que eu aconselho para qualquer um.
E o mais legal disso tudo é que posso interagir com franceses de verdade, o que eu não encontro muito em escolas para aprender a língua francesa, tirando os professores. Eu estou fazendo aula duas vezes por semana, mas são aulas completamente diferentes. Na aula de segunda eu sou uma das mais novas, tem muitas mulheres mais velhas, o que eu acho um máximo. E por serem mais velhas são mais fechadas também, quando eu fui assistir a aula elas nem olharam para mim, com exceção de uma que ficava me olhando sempre (8 ou 80). A professora também é mais velha, bem no estilo antigo de dar bronca quando os pés não conseguem fazer o movimento certo... rsrsrs. Já na aula de sexta eu sou disparada a mais velha, faço aula com um bando de adolescentes e me divirto com elas, apesar de não falar muito em ambas as aulas (coisa que eu preciso trabalhar). A professora de sexta também é mais nova do que a de segunda. Os movimentos das aulas também são bem diferentes uns dos outros.
A única coisa que eu não gosto no mundo da dança é a obrigação de fazer o espetáculo de fim de ano (que aqui é em Junho). Isso foi o que me fez sair da dança em 2004. A professora de segunda perguntou quem iria fazer e quando eu disse que não ela disse 'ok' e não insistiu. Adoro! Aí está uma característica francesa que eu adoro: não insistir e não perguntar o porquê. Mas a professora de sexta (a mais nova) deu uma insistida e ainda perguntou porquê indiretamente... Essa deve ter feito curso no Brasil... Eu já tinha preparado um discurso para treinar o meu francês, mas me limitei a dizer que não queria... Eu realmente preciso deixar a vergonha de lado e praticar mais o meu francês... rsrsrs. Mas tenho a impressão que isso vai acontecer... de uma forma ou de outra...

domingo, 29 de janeiro de 2012

Fim... ou começo?

Confesso. Eu tenho problemas com fechamento de ciclos, com finais... Eu decidi que em fevereiro eu vou parar o curso de francês na Aliança, por vários motivos: é uma grana por mês e estava querendo me capitalizar, além disso, depois de 4 meses estudando francês eu já estou um pouco cansada e acaba que as aulas não rendem tanto e não faço os deveres com tanto afinco, outro motivo é que eu quero me dedicar mais ao estudo para a prova que vou fazer para tentar entrar no mestrado (isso pede um post só para ele). Enfim, estou muito certa do que eu quero fazer, mas mesmo assim fico triste de estar saindo... como se nunca mais fosse voltar... como se a Aliança Francesa não fosse à 5 minutos a pé da minha casa.
Eu sempre fico pensando que mesmo eu voltando não será igual, que não terei as mesmas pessoas estudando comigo e que talvez nunca mais veja os meus colegas de classe... Mas mesmo sofrendo um pouco com o fim, eu amo o começo. É diferente, é novo, me dá esperanças. Foi a mesma coisa quando viemos aqui para Lyon. Sofri muito antes de chegar aqui, mas uma vez no lugar novo (apesar das dificuldades) tudo parece melhor, tudo parece mais claro. E espero que depois de amanhã, meu último dia de aula, eu me sinta um pouco menos saudosa. A única coisa boa de um fechamento de ciclo é que, obrigatoriamente, outro começa.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Família

Eu já tinha esquecido como era fazer parte de uma família grande. Eu e João quase passamos despercebidos aqui em Lyon, a não ser pelo nosso sotaque e pela altura do meu marido (eu já falei que ele tem 2 metros?). Mas a chegada da minha família aqui na cidade me fez relembrar. Não teve um lugar que tivéssemos passado que não tivéssemos sido notados... ainda mais uma família de 5 pessoas (6 com o João), super barulhenta até mesmo para os padrões brasileiros. Imagina o que os franceses não devem ter pensado de nós... todos falando alto e ao mesmo tempo na mesa dos restaurantes, e ainda assim se entendendo... ou achando que estávamos nos entendendo.
O fato é que a vinda dos meus pais e irmãos para cá foi uma avalanche de emoções. Primeiro fiquei muito feliz de terem chegado... nem achei que estava tão ansiosa, mas mal consegui conter as lágrimas quando os abracei no aeroporto. Acho que só uma pessoa que já ficou longe da família pode entender. Depois queria que eles fossem embora... aquela confusão toda... a minha mãe me perguntando pela décima vez o que era Fourvière, o gerenciamento de todas as vontades das 6 pessoas que estavam juntas... isso tudo já estava me deixando um pouco perturbada... mas essa parte durou pouco...
Quando o réveillon passou e foi hora deles partirem... uma imensa tristeza tomou conta de mim... Eu senti um vazio enorme... me senti desamparada... abandonada... Eu e João teríamos que tomar conta um do outro sozinhos novamente... Depois que eles partiram, fui chorando os 20 minutos que levaram para chegar na minha casa... Nessas horas eu penso o quanto é bom ter na língua portuguesa uma palavra que transmita exatamente o que eu estou sentindo... com toda a intensidade: Saudade.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Bonne Année 2012!

 
O ano de 2012 chegou... e a sensação não é de um ano novo, mas sim, de uma continuação do ano passado... o ano que me trouxe até aqui: Lyon. Esse foi um dos poucos réveillons que eu não senti uma sensação de mudança... de renovação... Esse réveillon foi mais uma sensação de concretização e continuação. Estou aqui faz 4 meses... e amanhã vou pegar meu visto definitivo de estadia na França. O meu período de adaptação já passou... conheço um pouco mais da língua francesa, já tenho alguns restaurantes preferidos, já tenho a minha padaria preferida... a minha doceria... já dei uma engordada (sim, mãe, eu engordei... nem adianta falar que não). Enfim... já me sinto completamente aqui (se é que isso é possível para uma pessoa que tem família em outro país). Eu pertenço novamente à algum lugar. E esse é um sentimento tão bom quanto o de renovação.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A tão esperada neve

Sabe criança? Que fica olhando para a janela esperando o Papai-Noel chegar? Então... é assim que o João está esperando a neve cair. Ela chegou ontem... mas nós quase não vimos cair... caiu muito pouquinho, mas pelo menos deu para deixar os carros e algumas praças com neve. Eu esperava os floquinhos de neve dos desenhos animados... mas ela nem é tão fofa assim... heheh.
É a primeira vez que vejo neve... já vi um resquício dela quando era pequena em Portugal, mas nem chegava perto do que é a neve de verdade. Quando falamos isso para algum Francês nós viramos atração... para eles é tão natural ter neve no inverno... E uma coisa que eles fazem muito por aqui é esquiar. Sabe casa de verão? Então... aqui existe casa de inverno também. Alguns tem chalés nas cidades onde tem pista de esqui e vão para lá passar algumas temporadas durante o inverno. Já falei para o João que não podemos perder essa oportunidade e fazer esqui também... depois eu conto com foi. Por enquanto o máximo que vamos conseguir e escorregar com a neve acumulada nas calçadas...

Esses pontinhos brancos são neve... foi tudo que deu para pegar... rsrsrs





Terraço da Alliance Francese.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Outro ponto de vista sobre o Natal

Desde que cheguei na França tenho encontrado novos sentidos para coisas cotidianas e uma delas é, sem dúvida, o Natal. Eu finalmente entendi Papai Noel e toda aquela roupa com pêlo branco saindo das botas e do casaco. Essas botas são fáceis de encontrar em qualquer sapataria por aqui... Se eu pudesse chutar um percentual, diria que 1 em cada 3 meninas daqui tem uma bota igual ou parecida com a do Papai Noel. E quanto ao casaco... bem, eu comprei um igual... só não é vermelho! Porque eu ainda tenho bom gosto... pelo menos o meu marido diz que sim...Rsrsrs. Com o frio que está fazendo aqui a minha bota Timberland e o meu casaco de pêlo está sendo o meu uniforme oficial. Isso porque nem estamos no inverno (ainda não fez menos de zero grau), mas para mim, uma carioca de inverno de 20 graus, já estou no inverno da Finlândia. (Tá bom, tá bom... rolou um exagero... é que torna tudo mais dramático... adoro! Rsrsrs).

Um exemplo de bota.

Mas voltando ao assunto Natal, eu entendi outra coisa: as comidas gordurosas. Sabe aquelas castanhas, aqueles pães com linguiça misturada, aqueles bolos bem densos com fruta cristalizada dentro que a gente come no natal e quase passa mal? Então, aqui desce que é uma beleza! Tem coisa melhor que comida gordurosa no frio? Por isso mesmo já comprei minha esteira de yoga para fazer exercícios em casa! O inverno é perigoso... não dá para dar mole com ele. Isso sem falar das bebidas quentes: chocolate, café, chá e o famoso 'Vin Chaud', o vinho quente, que é uma tradição por aqui. E se for bem preparado é bem gostosinho... é vinho, açúcar, canela e frutas... Hum... o cheirinho de canela é uma delícia... dá para sentir de longe! Existe com vinho tinto ou branco... para todos os gostos, para não ter desculpa para não experimentar. A primeira vez que provei não gostei não... por isso te digo, tem que ser bem preparado, caso contrário pode ser um desastre.
Outra coisa bem tradicional são as feiras natalinas. Nelas você encontra tudo o que tem à ver com o tema: bebidas quentes, comidas gordurosas, biscoitos variados, bolos densos com frutas cristalizadas, idéias diferentes de presentes. Falando assim até parece simples, mas é muito legal, bem divertido. E acaba virando um programa de domingo... como aconteceu com a gente hoje. Aqui em Lyon tem uma feira bem grande que fica na praça perto do Perrache (estação de trem). Fomos hoje lá e me diverti muito! Eu adoro feiras e adoro natal e todas aquelas coisas bregas natalinas. É brega! Mas eu adoro. Juntando as duas coisas então... fiquei feliz da vida.
Agora para completar o visual do Natal que importamos lá (aí) no Brasil só falta a neve... e segundo a meteorologia ela chega amanhã...

Feira Natalina no Perrache.

Barraquinhas da feira Natalina no Perrache.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Roubada ou não roubada... eis a questão.

Escrever sobre a Croix-Rousse me lembrou de um incidente que aconteceu quando eu estava indo para o bairro, há umas duas semanas atrás. Uma tarde, depois do curso de francês, eu resolvi ir passear e conhecer melhor a região. Como o João estava na faculdade resolvi ir sozinha mesmo... olhar coisas novas, passear um pouco... Peguei a bicicleta (aqui você pode alugar bicicletas pelo dia) e fui margeando o rio Rhône até chegar em uma ponte que desse na direção da Croix-Rousse. Teve uma hora que fiquei meio perdida e resolvi parar para pegar o meu Iphone para checar o mapa e ver aonde eu estava exatamente... Até que, certo momento, vi um sujeito parar do meu lado... Logo pensei: porque ele está parado do meu lado se eu estou um pouco afastada da faixa de pedestres para atravessar? Já fiquei meio cabreira... guardei o meu Iphone no bolso e foi aí que ele veio na minha direção... perguntando aonde ficava a prefeitura. Eu acho que foi isso que ele perguntou... porque nem ouvi direito, disse que não sabia montei na bicicleta e fui embora.
Agora fica a questão: Isso foi uma tentativa de assaltou não? Se eu tivesse ficado, ele teria pedido o meu telefone? Eu não gostei muito da atitude suspeita... parar do meu lado enquanto eu estava mexendo no celular... porque ele não perguntou para qualquer outra pessoa que estivesse passando na rua? Enh?
Já ter morado em uma cidade violenta faz com que você fique mais atenta ou cheio de nóia? Vai ver o pobre coitado só queria me perguntar aonde era a prefeitura mesmo e eu já achando que ele estava olhando o meu celular. E eu ainda pensei: Eu não vim do Rio de Janeiro para ser assaltada aqui em Lyon! Ah não!!!
Mas o pior é não ter ainda a malandragem do lugar, entende? Me sinto um pouco perdida... sem parâmetros. Eu não sei como os roubos acontecem aqui... no Rio, só de olhar para o sujeito (na maioria dos casos) eu já consigo ver se é alguém suspeito ou não... Ou atitudes suspeitas... Ou lugares não muito bons... Aqui é diferente, uma cultura diferente... tem muito árabe morando aqui também e eu ainda não entendo o comportamento dessa cultura onde os homens ficam nas praças porque não podem ficar em casa... É feio ficar em casa... mas ficar na rua sem fazer nada é legal...
Enfim... quando a gente muda de país a gente tem que aprender não só se movimentar em uma cidade diferente, como também as características de comportamento... que passa desde saber como brigar pelos seus direitos (aqui na França é dando patadas sem levantar a voz, o que eu admito ser difícil para mim) até identificar possíveis assaltos. Esse estudo antropológico pode ser até interessante... quando você finalmente aprende, porque o caminho do aprendizado pode ser bem perturbador...