segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Vienne, France.


Nesse sábado, para comemorar 1 ano de noivado, 3 meses de casado e 2 meses em Lyon resolvemos sair da cidade... hehehe. Fomos para Vienne, uma cidadezinha que fica à 20 minutos de trem daqui. A passagem custa em torno de 6 euros, o que faz dessa viagem um passeio não muito caro (para quem mora em Lyon, é claro!).
Vienne abrigou uma cidade romana. As romanos invadiram a região no século 1 a.C., e a cidade ainda respira essa história. Um conselho para quem vai visitá-la: assim que chegar vá até o Posto de Turismo, que fica perto da estação de trem e bem ao lado do Rio Rhône (sim, essa cidade também fica à beira do Rhône). Lá tem o mapa da cidade com todos os pontos importantes e eles também sugerem um caminho a ser seguido que passa por quase todos os monumentos. O quê achei bem legal, porque esse caminho é demarcado por botões de metal presos no chão da rua, como na foto abaixo. É bem simples e evita que os turistas de percam.


Um dos monumentos mais marcantes da cidade é o Teatro Romano. Ele pode abrigar até 13 mil pessoas e em Junho acontece lá um evento de Jazz... que com certeza eu quero ir! Como todo bom teatro romano a acústica é incrível, e a vista do último degrau permite que se veja praticamente toda a cidade de Vienne.



Outro monumento bem marcante é o Templo d'Auguste et Livie. Ele é datado de 10 a.C. e foi o centro da cidade romana, onde era exercido todas as funções civis, administrativa e religiosa. O templo possui várias colunas coríntias e a única coisa que fiquei triste, foi de não poder entrar no monumento. Só é permitido olhar do lado de fora para preservar o espaço.


A Catedral de St-Maurice, a Igreja principal da cidade, é uma estrutura bem interessante também. É uma mistura dos estilos românico e gótico, e foi construída entre os séculos 12 e 16. Ela está em processo de reforma, mas ainda é permitido entrar. É mais bonita fora do que do lado de dentro.



Tem também o Jardim de Cibele, um jardim com os restos do templo dedicado à Deusa Cibele.


E o claustro da Igreja St-André-le-Bas, bem bonitinho...


Para quem vai à Vienne vale à pena atravessar a ponte do rio Rhône e ir até St Romain en Gal, que fica do outro lado do rio... eu até pensei que ainda fosse Vienne...


Lá tem o Museu Arqueológico Gallo-Romains, onde tem um sítio arqueológico de uma cidade romana datada entre 100 a.C. e 300 d.C. Inclui restos de vários tipos de construção e tem a Casa dos Deuses do Oceano, um templo enorme. O mosaico que estava nesse tempo, agora está dentro do museu, com vários outros mosaicos bem interessantes da época.




sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Turismo em Lyon: Colina de Fourvière


Continuando... Turismo em Lyon 2... quer dizer, 3... 4... 7... Ah! Já perdi a conta... rsrsrs... Se vocês acham que Lyon não tem um 'Cristo Redentor'... vocês estão muito enganados... ele se chama Notre-Dame de Fourvière. A Igreja é um símbolo de Lyon e fica bem em cima de uma colina, de onde dá para ver grande parte da cidade. Para chegar até lá, basta pegar o funicular que fica na estação 'Vieux Lyon', um trenzinho que sobe a colina, ou então subir à pé. Na velha Lyon tem vários caminhos que vão dar na Fourvière.

Funicular, trem que sobe a colina.

Uma das decidas da colina de Fourvière.

A Igreja é um santuário para a Virgem Maria. Em 1870, os Lyonnaises fizeram um voto à santa e pediram que a cidade fosse poupada da invasão proeminente da Prússia. Agradecidos, em 1872, foi colocada a primeira pedra da construção da Igreja. As obras terminaram por volta de 1890, quando ouve a primeira missa. A Igreja é belíssima, tanto por fora quanto por dentro.

Notre-dame de dia.
Notre-dame de noite.

Na parte de dentro ela é toda de mosaico, com várias passagens sobre a Virgem Maria. Tem algumas pedras do mosaico que são douradas e quando a luz bate o efeito é fantástico.




A porta da igreja também é incrível, tem dois leôes em ferro, uma em cada parte da porta. Eu adoro esse detalhe da porta!

Eu e 'Lyon'.
A Igreja tem também uma capela menor bem embaixo, a entrada é pela frente da edificação, quem guarda a entrada é um leão bem grande de pedra... símbolo da cidade.

O leão que guarda a Igreja e a capela menor embaixo.

Essa capela tem no altar símbolos dos 7 pecados capitais, como a gula e a ira. Não exite em dar a volta completa no altar para ver todos os símbolos em mosaico no chão.

Representação da gula no altar da capela.

Representação da ira no altar da capela.

Não posso esquecer de falar também da vista incrível da cidade que temos lá de cima....Um dos melhores lugares para se fazer pic-nic em dias quentes é no parque que fica bem embaixo da catedral, falo melhor desse parque em outro post.

Vista da Notre-Dame de Fourvière.

Ah! E quem disse que aqui em Lyon não tem uma "Tour Eiffel"? Tem sim! Bem ao lado da Fourvière tem uma torre, com 85,9 metros de altura, que parece o terceiro andar da Torre Eiffel. Ela foi finalizada em 1984 com o intuito de ser um símbolo republicano, em oposição à Bastilha de Fourvière. Ela tinha, na época na Exposição universal de Lyon em 1914, um restaurante e um elevador que podia levar 22 pessoas ao observatório que havia no topo. Hoje, é somente uma torre de transmissão de rádio e televisão francesa. Mas é tão marcante na paisagem Lyonnais quanto à Notre-Dame de Fourvière. 


Bem pertinho da Catedral de Fourvière fica outro ponto turístico super importante da Colina de Fourvière e de Lyon: o Teatro Galo-Romano. Ele começou a ser construído em 15 a.C e no século II sofreu reformas para aumentar sua capacidade para 10 mil pessoas. O teatro é na verdade um complexo de divertimento de 2 mil anos! Tem um teatro menor e outro maior onde no verão acontecem shows ao ar livre (Nuìts de Fourvière). O lugar é de arrepiar e imperdível para quem vem visitar a cidade. Do lado do teatro tem o Museu Gallo-Romano, outro ponto imperdível, que em outro post descrevo com mais detalhes.
Vista do Teatro Galo-Romano de Lyon.

Teatro Galo-Romano de Lyon.

Vista do Teatro dentro do Museu Galo-Romano.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Olympique Lyonnais X Real Madrid

Ontem fomos ver um jogo de futebol: Olympique Lyonnais x Real Madrid... foi um jogão! Apesar do Lyon ter perdido de 2 ainda sim, achei um jogo bom. Melhor no segundo tempo para o Olympique. O que? De que lado eu fiquei? Claro que foi do Lyon... fui com a blusa e tudo, devidamente uniformizada como a tradição brasileira manda. :)
Com relação à esporte, os Lyonneses tem duas paixões... Futebol e Rugbi, que é como um futebol americano só que sem proteção, quem sabe um dia entendo esse jogo... 
A torcida Lyonnaise estava bem animada ontem, ficamos em uma parte da arquibancada, bem ao lado da torcida... eles cantavam o tempo inteiro, tinha bolas vermelhas e azuis e um organizador da torcida que cantava o tempo inteiro as músicas em um megafone. Como todo o lugar que vamos também pode virar um curso de francês... aprendemos algumas palavras... como, 'arbitre ordinaire'... os franceses são muito polidos mesmo... o melhor que eles conseguem xingar o arbitro é de ordinário... isso, os brasileiros conseguem fazer melhor!
De qualquer forma gostei de ver como a paixão pelo futebol pode mover de forma tão similar países tão diferentes... a torcida pulava, cantava, agitava as bandeiras... eu me senti em casa.


Ah! E assim como no Rio, o metro também estava lotado na volta, a diferença é que tinha funcionário do metro para organizar a quantidade de gente dentro do vagão, assim, ninguém morreu esmagado e chegamos em casa sãos e salvos 30 minutos depois da partida.

Um dia... produtivo...

Hoje foi um dia de muitas reflexões... e olha que ainda são 14:40 horas da tarde...
Todo mês é como se começassem uma parte nova do curso de francês, como eu não consegui trabalho ainda... na verdade, a única coisa que consegui foi uma 'quase entrevista' (isso merece um post separado), resolvi continuar a fazer o curso de francês no mês de novembro. Não era o que eu esperava, mas acho que estou começando a entender que achar um emprego será um pouco mais difícil do eu pensava. E com o novo período de aulas veio também novos professores.
Hoje conheci uma das professoras que vai dar aula para a gente em novembro, geralmente são dois professores. Acontece que ela é verdadeiramente francesa... e falo isso olhando somente o lado negativo do povo francês... ela é extremamente impaciente e chega a ser bastante rude com as pessoas... Além disso, ela não incentiva os alunos a fazer perguntas e sempre fala com um tom de desprezo, como se a gente devesse saber aquilo que ela está explicando. Isso acaba deixando o ambiente bastante desconfortável e nada amigável.
Hoje teve um aluno chinês que chegou atrasado... e por acaso ele foi colocado por engano na aula da tarde... e ela falou: 'Tá vendo, é por isso que te colocaram na aula da tarde... você não consegue chegar na hora... são 10:12 da manhã... etc...' Ela falou de uma forma extremamente indelicada e depois ainda nos perguntou se 'aquele menino' estudava com a gente antes... Acontece que: 'Sim, ele estudou com a gente no mês passado. E ele nunca chega atrasado... hoje foi a primeira vez que isso aconteceu...' Quem falou isso foi Erik, um menino Inglês que entrou junto comigo, no mês passado, na Aliança Francesa.
Eu me senti muito mal, e ao mesmo tempo culpada por não ter falado nada também. Ali, naquele momento eu percebi que eu mudei... se fosse alguns anos atrás eu teria respondido à ela a mesma coisa que Erik falou, só que eu teria devolvido a grosseria. O fato é que a língua e a cultura diferente acabam oprimindo um pouco quem a gente é, mas naquele momento eu percebi que não era só isso... que eu havia realmente mudando e que eu não gostava dessa mudança. Mas o mais triste disso tudo é que faz alguns anos que eu procuro essa mudança... no trabalho me falavam: 'você não pode falar tudo que você pensa. Você precisa ser um pouco mais comedida... as pessoas podem acabar te entendendo de forma errada... etc...' Vejam bem, eu sempre fui um pouco impulsiva em dizer as minhas opiniões... e nem sempre o que eu queria dizer agradava ao ouvido alheio... e em um ambiente empresarial ou você aprende a ficar um pouco mais na sua, ou você não vai para frente... Eu já sofri muito com isso também, porque as pessoas na faculdade, por exemplo, falavam que eu era grosseira... mas eu não entendia o porquê... eu só estava falando a verdade... ou pelo menos a minha verdade...
Bem, acontece que eu busquei durante um bom tempo falar menos... e hoje fiquei muito decepcionada comigo porque eu não falei mais... entendem a questão existencial aqui? Quis muito mudar para me encaixar melhor e agora que acho que consegui também não estou satisfeita... parece que me traí... sabe? Bem, eu realmente acho que é possível achar um meio termo... minha avó sempre falava que era possível falar o que quisesse só que da forma certa... Acontece que eu já estou tentando achar a forma certa há algum tempo e sempre fico um pouco frustrada ou porque falei demais... ou porque falei de menos... será que eu estou sendo muito rígida comigo mesmo? Bem... isso também não me surpreenderia...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Biennale d'Art Contemporain de Lyon



Aqui em Lyon está tendo a Biennal de Arte Contemporânea. O evento nasceu através de um projeto do Museu de Arte Contemporanea de Lyon em 1984, o evento era anual e chamava-se 'Octobre des arts'. Mas foi em 1989 que houve uma exposição que fez bastante sucesso e abriu portas para que Lyon acolhesse essa grande manifestação de arte.
A Bienal acontece em 4 lugares diferentes, mas toda edição tem um tema que amarra todos os lugares. Esse ano o tema é: Uma terrível beleza nasceu (Une terrible beauté est née).
Ontem fomos ver a exposição que está no MAC de Lyon (Musée d'Art Contemporain), eu gostei muito. Tem artistas de todo o mundo, inclusive do Brasil, como Cildo Meireles (RJ) e Lenora de Barros (SP). Uma coisa que achei muito boa, e que não temos o hábito no Brasil, é que sempre que tem esse tipo de evento tem um livrinho explicativo. Nós pegamos o livro da exposição e todos os artistas tinham uma explicação da obra. Quando a gente entende melhor uma coisa, somos capazes de gostar mais dela ou não gostar com mais certeza... e conseguimos criticar também. O livro pode ser pego em todos os lugares onde está tendo exposição.
Eu quero ir em todos os 4 lugares. A Bienal começou dia 15 de setembro e vai até dia 31 de dezembro, vou ter bastante tempo para ver tudo que eu quero.

http://www.biennaledelyon.com/

Artísta: Virginia Chihota - Origem: Zimbabwe - Obra: Fruto do ventre escuro.
Se trata de vários desenhos de bonecas, bonecas usadas em rituais de fertilidade. "Você pode fazer qualquer coisa com uma boneca" disse Chihota. 

Artista: Diego Bianchi - Origem: Argentina - Obra: A última realidade.
Ele trabalha com os objetos desfazendo a sua forma e funcionalidade, a sala onde estavam as obras dele, era um verdadeiro caos.





Artista: Cildo Meireles - Origem: Brasil - Obra: A bruxa
 Essa obra emprega 6.000 kilômetros de fio, que parece uma lâ. Fica por praticamente todo o 3 andar de exposição. A fonte desses fios é uma vassoura... que paradoxalmente, em vez de estar limpando, está produzindo o caos. A primeira vez que Cildo expôs essa obra foi em São Paulo em 1984, mas aqui em Lyon ele teve um desafio de expor junto com outros artistas na mesma sala. Muito legal! Uma das obras que eu mais gostei na exposição.

Artista: Marina de Caro - Origem: Argentina - Obra: Serie de desenhos
Eu achei uma graça as pinturas dela, adoro essa mistura de cores com o preto e o branco. Achei interessante, é algo que eu teria na minha casa.  As obras estão expostas na mesma sala do Cildo Meireles.



Artista: Alexander Schellow - Origem: Alemanha - Obra: Storyboard
Achei super legal a sala cheia de pequenos papéis desenhos e quando a gente chega perto conseguimos ver do que se trata... são várias pinturas pontilhadas de imagens do cotidiano. Ah! E ele as desenhou de memória. São todas imagens que ele viu dias antes, ou até mesmo, meses antes de sentar para desenhar.  



Eu adoro arte! Desde pequena vou à museus com meus pais e uma das épocas mais feliz da minha vida, foi quando eu fazia um curso de artes no Parque Lage, no Rio de janeiro. Acho que deve ser por isso que tenho essa relação passional com esse tema... 


sábado, 29 de outubro de 2011

Histórias em quadrinhos (bande dessinée)

Aqui na França existe uma cultura muito forte de leitura de desenhos em quadrinhos (bande dessinée). Não é coisa só de nerd e meninos, é algo que está entre cinema, música e livros. Algo realmente valorizado como uma forma de arte. Por causa disso, acabei me interessando também, depois de uma aula de francês, que o professor tocou no assunto. Foi assim que conheci a escritora Marjane Satrapi, uma iraniana que é artista gráfica e escreve histórias em quadrinhos. Ela tem uma série de livros chamado 'Persépolis' que é sobre a infância dela no Iraque e depois que saiu do país. Por causa da diferença entre culturas ela tem uma visão muito interessante das coisas e escreve de uma forma muito leve. Como fiquei muito curiosa pelo trabalho dela fui na biblioteca para ler o livro.



A série 'Persépolis' também tem um filme, que já baixei para ver. E agora, está no cinema o filme 'Poulet aux Prunes' (Frango com Ameixas), que também é um livro da mesma autora. A história é sobre o tio da escritora, que fica deprimido e resolve morrer. Nós fomos ver o filme no cinema e gostei muito, ele mistura desenho e realidade, e é, na verdade, um filme de amor. Muito bonito... espero que chegue até o Brasil.


Uma coisa interessante aqui, é que todos os bairros tem uma biblioteca municipal onde você pode se cadastrar, pagar um valor anual (6 euros para estudante) e alugar livros de todos os tipos. A que fica aqui perto de casa (Biblioteca Part Dieu) tem 4 andares e é realmente bem grande. Fica perto do shopping e vive lotada. Nessa semana que se passou fui lá duas vezes para ler o livro da Marjane, já que eu ainda não fiz a minha carteira da biblioteca e, por isso, não posso pegar emprestado. Sem a carteira posso ler os livros somente no local. Na primeira vez que fui, conseguir ler sem problemas o terceiro livro da série Persépolis, já que não tinha nem o primeiro, nem o segundo. Mas da segunda vez que fui, vi o livro sendo pego emprestado por uma menina... se tivesse chegado alguns minutos antes... rsrsrs.
Mas tudo tem o seu lado bom, e foi assim que descobri outro autor de quadrinhos francês bem interessante também: Jules Feiffer. Li a primeira de seis histórias do livro 'Je ne suis pas n’importe qui!', ele fala sobre as relações sociais, mas de uma forma lúdica e engraçada. Gostei bastante do livro e vou voltar à biblioteca para ler mais... É uma pena lá no Rio não termos mais bibliotecas... aqui, ir à biblioteca, me parece ser também algo bem cultural e cotidiano.



Eu soube de outra autora interessante também, mas essa eu ainda não li: Elodie Durand. Uma desenhista de histórias em quadrinho que escreve uma história alto biográfica, da sua batalha contra um tumor no cérebro. A história conta a sua luta contra doença e a degradação da sua memória causada pelo tumor. Ao mesmo tempo que me parece triste, eu acho que deve ser interessante também... vou procurar para ler.



Ler esses livros é uma forma muito gostosa de aprender francês... e eu consigo entender o porquê dos franceses gostarem tanto desse tipo de leitura... não são apenas desenhos de super-heróis, são histórias de pessoas reais, com toda a sua vivência e bagagem cultural.